"Eu nunca me senti assim antesTudo o que façoMe lembra vocêE as roupas que você deixou estão jogadas no chãoE elas tem o seu cheiroEu adoro as coisas que você faz" (When You're Gone - Avril Lavigne)
Lucy
- Princesa, acorde, princesa. - abro os olhos delicadamente para me acostumar com a luz, e acabo me deparando com Virgo segurando uma bandeja com diversos tipos de biscoitos, sucos, bolos e essas coisas que só de pensar em comer você engorda uns cinco quilos.
Tampo meus olhos com o braço recusando-me a acordar (N//A: Ok, vamos ignorar o fato dela já ter acordado). - Sinceramente, eu deveria começar a malhar. - digo confirmativa, Virgo apenas assenti. - Tá me chamando de gorda? - pergunto irônica, adorava deixar a rosada contra a parede.
- Princesa, sem seus joguinhos sujos, hoje, por favor. - ergo a sobrancelha enquanto ela me lança um olhar de repreensão.
- Já falei que não gosto da parte do "princesa", oushe. - mostro a língua. - Pode ir, logo descerei.
Virgo é a melhor amiga da minha mãe, e minha também, ou pelo menos uma delas. Seu salário é muito pouco, pois eu e mamãe estamos numa situação deplorável desde que Jude nos abandonou. Moramos num apartamento de dois andares, no Brooklyn, que foi comprado pela minha vó enquanto ainda estava viva. Graças a Deus ela não era como meu pai e nos deixou o pouco do seu dinheiro e esse apartamento. Quase tudo que eu tenho, compro com o meu dinheiro, pois trabalho como balconista num bar de classe alta. Nós somos pobres, mas mamãe e Virgo sempre me tratam como se ainda tivéssemos "aquela" vida de antes.
Por mais que fizesse mal, eu insistia em comer e depois tomar o bendito banho. Era assim todos os dias, e por incrível que pareça, estou intacta tanto por dentro, tanto por fora. Logo após o banho, fiz minha higiene matinal, me enrolei numa toalha e me dirigi até o guarda-roupa.
- Argh, ainda tô com sono. - pensei. - A chuva derruba tudo, menos a maldita escola. - resmungo, seguido de um pequeno riso. Coloquei o uniforme, peguei a mochila e os fones de ouvido, ótimo.
Quando terminei de descer as escadas, encontrei-me com mamãe olhando fixamente para o jornal, ignorando qualquer coisa em sua volta. - Mãe... não me diga que fez aquele café da manhã luxuoso pra mim e teve que ficar sem comer? - pergunto preocupada. Ela sempre fazia isso, passar fome por minha causa, e fazia eu me sentir culpada.
- Bom dia, pequena. Dormiu bem? - pergunta desconversando.
- Dá pra parar com isso? Tome, compre algo para você e Virgo comerem. - coloco uma nota de vinte reais na mesa e ela fita o dinheiro indignada.
- Eu nunca aceitaria... - a loira se levanta com o dinheiro em mãos, tentando devolver-me, mas eu a corto antes que termine a frase.
- "... um dinheiro seu". Aham, já ouvi isso antes. Não precisa ser forte o tempo todo mãe, coragem também é ter medo, não um medo repentino, mas enfim... medo. Eu sempre estarei aqui, com você. - vejo uma pequena lágrima cair solta em seu em seu claro e belo rosto, seus olhos despertaram um brilho especial. A mesma abraçou-me me dando um ar de aconchego, como se tivesse respondido "eu também sempre estarei com você, minha pequena".
- Boa aula, pequena, e comporte-se. - dizia mamãe acariciando meu rosto. - Eu te amo tanto...
Dou um sorriso em resposta e em seguida fui em direção a porta. Depois de uma caminhada de dez minutos até o metrô, passei o cartão que já estava pago (N//A: Eu, a anta das antas não vai a um metrô a meses, então esqueci um pouco de como é lá, mas ok) na roleta e desci as longas escadas que levavam ao transporte. Demorou um pouco mas finalmente chegou o meu. Lá estava apertado, cheio de pessoas apressadas e loucas por um lugar pra sentar, quase ri da situação, pois tinha duas mulheres quase no tapa para ver quem sentava. Acabou que um garoto que aparentava ter uns oito anos passou pelo meio da discussão e sentou sem mais nem menos. - É isso aí, coloca ordem nessa coisa! - pensei, ainda abafando o riso.
Rapidamente chegou a minha parada. Saio de dentro do metrô me abanando com as mãos, que calor insuportável era aquele? Bom, mudando de assunto, a escola ficava em Manhattan, e como eu não tenho uma árvore de dinheiro, ir de táxi nem sequer é uma opção. (N//A: Lá era colégio de classe alta, mas a Lu conseguiu uma bolsa >.< sou muito boazinha com esse povo)
Corro ofegante até o portão de entrada, estava quase fechando. - Desculpe-me o atraso. - entro na sala de aula quase morrendo, deu a perceber que corri três maratonas. Era meu primeiro dia de aula, então é crucial dar boa uma boa impressão (ou pelo menos tentar). Me sento ao lado de uma linda ruiva, que logo me fitou de cima pra baixo, fazendo-me corar de vergonha.
- Yo, sou Erza. - diz estendo a mão, e em seguida a comprimento.
- Prazer, Lucy.
- Bem-vinda. - ela dá um sorriso, me fazendo ficar mais calma perante a esse colégio.
- O-Obrigada... a primeira aula é de que, mesmo? - gaguejo. - Eu meio que esqueci de pegar o papel com as anotações. - digo ainda corada.
- Ora, não tem problema. Ah, e é de Educação Física. - meu mundo desaba após ouvir aquilo, com tudo que eu corri, já devo ter emagrecido dez quilos.
- Com licença, moça, vou me jogar da ponte e já volto. - dou um olhar irônico e a ruiva ri.
Ficamos conversando um bom tempo, já que nenhum professor chegava na sala. Até que vi uma certa azulada vindo em minha direção. - Você é a aluna nova? - ela pergunta, parecendo desinteressada.
- Sou sim, prazer.
- Me chamo Levy, o diretor está te chamando. Quer que eu te leve lá?
- Eu ficarei grata. - me despeço de Erza e sigo a azulada.
Eu tentei puxar assunto, mas ela só me encarava com uma cara de "não estou afim de papo, ok?". Porém, quando citei algo sobre A Culpa é das Estrelas, ela quase pulou em cima de mim. - AI MEU SANTO DEUS! VOCÊ LÊ?! - praticamente gritou, me fazendo ficar com um pouco de vergonha, pois todos nos encaravam.
- S-Sim... e que tal... falarmos disso em outro lugar? - digo pausadamente.
Ela demora um pouco pra entender, mas depois olha em sua volta e entende o recado. - D-Desculpe... - diz cabisbaixa. - É que são poucos os alunos que gostam de ler e... - Levy acaba trombando com uma certa morena que se levanta quase nos tapas.
- EI, SUA IDIOTA! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! - grita ela, sendo segurada por três garotas.
- M-Me desculpe... - a azulada abaixa a cabeça e segue em frente, mas como eu não vou deixar barato, puxo a morena pelo pulso a fazendo me encarar.
